ANDRAGOGIA
Beck (2017) identifica o significado de educar como conduzir ou direcionar para fora. Essa definição era empregada no sentido de preparar as pessoas para o mundo, conduzindo-as para fora de si mesmas, mostrando tudo que possivelmente pode se aprender com o mundo. No caso da Andragogia a etimologia da palavra pode ser definida como andros (adulto) e gogia (orientar ou conduzir). Ao se estudar as ciências da educação consegue-se identificar que para cada fase da vida há uma vertente de educação específica. O adulto tem uma estrutura de vida muito diferente da criança tornando-se necessário a utilização de vertentes da educação, com formações, conceitos, pensamentos e atividades específicas. Beck (2017) inclusive faz comparativos bem interessantes relacionada a filmes. Neste caso espera-se uma temática adulta do filme, ou mais construtiva, e o que é oferecido é uma animação infantil, não haveria desta maneira nenhum interesse, ou uma motivação em assisti-lo.
Segundo Karolczak (2012) a andragogia fundamenta-se em princípios ligados ao construtivismo e ao interacionismo, já que a construção do saber do adulto tem como ponto de partida motivações internas e externas. Inclusive com características muito específicas conforme aponta Gil apud Karolczak (2012), uma vez que: o adulto trabalha um conceito de autodireção da aprendizagem, pois tem uma responsabilidade pela sua aprendizagem e delimita o seu percurso educacional. Tem interesse em adquirir conhecimento, devido a compreensão de sua importância. Possui motivações internas ao aprendizado como melhores trabalhos, salários, principalmente as valorizações externas ligadas a própria vontade de crescimento. O adulto entra no processo educativo com muitas vivências e experiências, por conseguinte o processo de aprendizagem convencional com projeções e livros, nem sempre garantem o interesse na aprendizagem. O adulto tem uma orientação para aprendizagem mais pragmática, estando pronto a aprender aquilo que ele decide aprender, trabalhando essa determinação para atingir objetivos específicos em sua melhoria profissional ou pessoal.
Oliveira (1998) identifica caracterizações do indivíduo adulto e princípios ou premissas básicas. A maturidade humana é variável de acordo de cultura para cultura, devendo ser separado por aspectos: sociológicos, onde se tem o estabelecimento social de reconhecimento da sua independência vinda através de sua responsabilidade produtiva, ou plano econômico; biológico caracterizando a época em que a ocorre a maturidade física e a capacidade de procriação; a psicológica onde ocorre a independência psíquica do indivíduo, caracterizada pela competência auto administrativa; e a jurídica relacionada as normas legais para o relacionamento público do cidadão.
Uma vez estabelecido o que seria um indivíduo adulto, Oliveira (1998), relaciona algumas premissas norteadoras para utilização da Andragogia. O indivíduo adulto tem dois tipos de consciência crítica e ingênua, tendo uma postura pró ativa ou ré ativa, de acordo com a consciência predominante. Compartilhar experiências é uma estratégia fundamental para o adulto. A relação educacional deve ser baseada através de uma interação entre facilitador e aprendiz, sendo necessário um clima de liberdade. A negociação e motivação do interesse do adulto em participar deve ser trabalhado o tempo todo. O centro das atividades educacionais deve ser a aprendizagem e não o ensino. O adulto é responsável sobre sua aprendizagem sendo responsável pelo seu desenvolvimento. O ato de aprender significa desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes, o processo de aprendizagem implica na aquisição destes três elementos. Segundo Oliveira (1998), o processo de aprendizagem se dá numa ordem específica, sensibilização (motivação), pesquisa (estudo), discussão (esclarecimento), experimentação (prática), conclusão (convergência), compartilhamento (sedimentação). O ambiente de aprendizagem deve ser permeado de liberdade e deve ser incentivado para cada indivíduo falar sua história, ideias, opiniões, compreensões e conclusões. O diálogo é a principal ferramenta educacional entre adultos. A aprendizagem deve ser baseada na reflexão e ação, essa práxis serve para desenvolver assuntos discutidos e vivenciados. A atitude de ensinar a um adulto deve ser descontruída, já que ele possui muitas vezes experiências práticas diferenciadas de seu facilitador. O indivíduo adulto deve ser tratado como um igual, não como alguém que não tenho conhecimento nenhum, ou alguém inferior, esse comportamento é indesejável. A educação elaborada não pode ser a tradicional, jesuítica dos tempos de escola, essa metodologia prejudica e muito o bom andamento da aprendizagem.
Cavalcanti e Gayo (2005) tipificam que uma excelente metodologia para se trabalhar na Andragogia é a Aprendizagem Baseada em problemas, uma metodologia ativa. Essa metodologia consiste na narração ou construção de um problema, como o objetivo que o grupo solucione. A utilização de metodologias ativas dentro do processo de aprendizagem com adultos passa a ser um diferencial mais assertivo com relação as características explicitadas no uso da Andragogia.
Referências
CAVALCANTI, Roberto de A.; GAYO, Maria Alice F. da S. Andragogia na educação universitária. In: Conceitos. Julho/2004–Julho/2005. p. 44–51.
BECK, C. (2017). Ciências Agógicas: as ciências da educação. Andragogia Brasil. Disponível em: https://andragogiabrasil.com.br/ciencias-agogicas/. Acesso em: 11 nov. 2020.
KAROLCZAK, Maria Eloisa. Andragogia – Liderança, Administração e Educação: uma nova teoria. Curitiba: Juruá, 2012
OLIVEIRA, Ari Batista de. Andragogia - a educação de adultos. Disponível em: http://www.diocese-braga.pt/catequese/sim/biblioteca/publicacoes_online/200/ ANDRAGOGIA.pdf. Acesso em 12/11/2020.
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